Quando você joga Age of Empires pela primeira vez, uma sensação calorosa toma conta de você. Warcraft misturado com Civilization! Construção de impérios em tempo real! E ainda por cima tudo claro e parecendo estar certo.

Mas uma sensação de animosidade cresce conforme você se aprofunda, uma sensação de que não está tudo certo, que não é o jogo que você esperava. Ainda pior, ele possui alguns problemas definidos. O ruim de analisar um jogo tão aclamado e conhecido é que você tem que analisar o jogo pelo que ele é, e não pelo que gostaria que ele fosse. Eu gostaria que o Age of Empires fosse o que ele tentou ser – Um Civilization misturado com Warcraft. Ao invés disso, ele é um Warcraft com sutis influências de Civilization. Tudo isto é bacana e tal, mas isto o coloca firmemente no meio dos jogos de estratégia em tempo real orientados à ação, ao invés de estar entre os mentalmente exaustivos e complexos jogos de construção de impérios como Civilization. O resultado é o Warcraft de fio dental, com um pouquinho de profundidade extra, mas uma sensação familiar.

O básico do jogo

Age of Empires te coloca em um mapa com um mundo inexplorado, fornece algumas unidades iniciais e deixa você começar a construir seu império. Cada partida se desenvolve da mesma forma. Você começa com um centro de cidade e alguns aldeões. Os aldeões são trabalhadores básicos e o centro de cidade permite treinar mais deles e expandir sua base. Os aldeões são central em Age of Empires: eles coletam recursos, constroem estrutura e reparam unidades e construções, exatamente igual ao Warcraft. Recursos existem de quatro formas: madeira, comida, pedra e ouro. Uma quantia específica de cada é consumida ao treinar ou construir várias unidades e construções, desenvolver novas tecnologias ou evoluir a era de sua civilização.

Não existe gerenciamento complexo de recursos ou um modelo econômico intrincado funcionando por aqui. O que você tem aqui é o mesmo esquema de coleta de recursos que já vimos décadas atrás, com quatro recursos ao invés de um ou dois. Conforme sua civilização avança, você desenvolve maiores necessidades por estes recursos, mas a forma que eles são coletados e utilizados só se torna levemente mais complexa (algumas pesquisas oferecem maior velocidade de coleta ou produção de tais recursos).

Parece superficialmente ser uma evocação complexa de como os antigos “Civilization“ coletavam e usavam materiais, mas debaixo do capô, é a mesma história de “mine tibério, compre mais bagulhada que seus oponentes, compre melhorias”. É a primeira dica de que Age of Empires é um jogo de combate simples em vez de um glorioso construtor de impérios.

Não tem como negar a empolgação quando um aldeão usa uma lança em um antílope e perde vários minutos pegando carne de seu flanco com uma ferramenta de pedra. Este é o nível de detalhe que traz um jogo de construção de impérios à vida. Se, pelo menos, um destes aldeões evoluísse durante o jogo, seria muito mais interessante. Se eles trocassem seus trapos por algo mais civilizado e talvez alguma camuflagem, e trocar de lanças para flechas e rifles… Sim, isto é outro jogo, mas poderia facilmente ter sido implementado em Age of Empires, e o por que de não ter sido é um mistério.

Inteligência artificial

A impressão geral é que o Age of Empires se afunda cada vez mais nos problemas de controle de unidades e inteligência artificial. Conforme você expande sua cidade com novas e melhoradas construções, você desenvolve a habilidade de produzir novas e melhores unidades militares. Existem várias categorias: Infantaria, arqueiros, cavalaria e armas de cerco. Com a compleção de um templo, padres são disponibilizados, que podem curar unidades amigáveis e converter unidades inimigas. Unidades navais vêm na forma de navios e barcos pesqueiros, mercantes, transportadores e de guerra.

O problema é que enquanto a inteligência artificial do inimigo é esperta e agressiva (ela pode ser visto que parece trapacear com recursos), suas unidades são completamente retardadas. O path-finding é uma porcaria, fazendo com que unidades se tranquem ou se percam com facilidade. Existe um sistema de pontos de orientação, mas não muda o fato de que suas unidades ainda terão problemas para de deslocar do ponto A até o ponto B se você não utiliza-lo.

Unidades militares ficarão inativas enquanto alguém com apenas um milímetro de distância é eviscerado. Eles não oferecem reações durante incursões inimigas em um vilarejo e vão ficar passeando aleatoriamente no meio da batalha. Isto foi deliberado para que o jogador perca mais tempo no meio da batalha com gerenciamento de unidades? Se sim, foi uma péssima idéia, pois simplesmente tem muita coisa acontecendo no meio do jogo para você ter que se preocupar se seu exército está ou não fazendo o que deveria ou se está se suicidando na mão do oponente.

Não existem desculpas para estas falhas e elas seriamente tiram muito da diversão de Age of Empires. Para concluir, existe o limite de 50 unidades que irrita muitos jogadores, mas em vista do balanço de jogo esculhambado e seu nível Microsoft de qualidade, foi uma boa decisão forçar os jogadores a construir unidades mais seletivamente.

Conceito de jogo

Age of Empires obviamente busca ficar mais próximo da temática de impérios antigos, e não existe nada de errado com isto. Idade da Pedra, da Ferramenta, do Bronze e do Ferro são as quatro eras, e com cada uma vem novas estruturas e unidades militares. Você não precisa merecer estas eras avançadas – você compra elas com recursos!

Avanço é uma simples questão de economizar e gastar comida e ouro. O bem-estar de seu estado é irrelevante enquanto ele sobreviver: felicidade não é medida, mercantes são porcamente modelados e o estado existe apenas para produzir uma máquina militar para esmagar todos os outros no mapa. Poder naval possui um efeito desgraçado de desbalancear uma partida, com um bom exército naval sendo capaz de esmagar a competição sem um pingo de realismo.

Microgerenciamento é o nome do jogo sendo jogado em Age of Empires. Não existe fila de unidades, e para treinar cinco aldeões, você precisa treinar um, esperar, treinar outro, esperar e assim por diante. Com unidades agindo tão estupidamente, você deveria poder pelo menos mudar o nível de agressividade e a maneira como atacam (que nem Dark Reign), mas tal opção não existe. Diplomacia foi relegada a tributo e nada mais, e alianças são difíceis de se formar.

Você pode ser aliado, neutro ou estar em guerra com outras civilizacnoes, mas se o botão rádio estiver em “aliado” quando um oponente começar a te atacar, suas unidades não revidarão o fogo, se defender ou sequer fugir. Eles ficarão parados esperando sua morte. Dicas do que realmente está acontecendo no mapa são obscuras; tal tarefa foi relegada para efeitos sonoros não relacionados. Aquele chamado com sininho significa que minha construção está pronta, ou minhas unidades sob ataque? Que tal um pouco de ajuda, pessoal?

Condições de vitória também são irritantes. Existem várias campanhas que exigem que vários objetivos específicos sejam alcançados, e eles rapidamente se tornam repetitivos. Felizmente, existe um excelente gerador de mapas que deixa você selecionar o tamanho, tecnologia inicial, recursos e outras possibilidades. É justamente isto que salva o Age of Empires, e o que me fez revisita-lo uma ou outra vez. O motivo principal é que isto permite alterar alguns dos padrões insanos do jogo por algo mais realista e modificar

Se todos esses julgamentos parecerem rígidos demais, é apenas porque Age of Empires parecia, e tentava ser, muito mais do que realmente é. Ainda possui muito potencial e uma jogabilidade fundamental que continua sendo aproveitável para superar as falhas, merecendo uma análise mediana. O sistema do jogo pode ir muito longe com ajustes finos, mas do jeito que ele é, parece pura esquizofrenia.

É uma versão de pobre do Civilization ou um Warcraft modestamente turbinado? É quase como se os desenvolvedores começassem criando um jogo e terminaram tendo outro como resultado. Com uma produção tão bonita e os fundamentos de um jogo bem aproveitável, é triste ver que ele erra seu alvo. Minha decepção não é somente com o Age of Empires em si, mas com o que ele falhou em ser.

Age of Empires HD

Age of Empires te coloca em um mapa com um mundo inexplorado, fornece algumas unidades iniciais e deixa você começar a construir seu império.

Amanhã teremos outro título para vocês, com análise completa do mesmo porte, continuando nossa tradição.

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