Estamos iniciando com este título, o Vampire: The Masquerade – Bloodlines,  uma série de posts chamada “Pérolas Perdidas”, onde iremos falar de títulos que passaram despercebidos durante sua época de lançamento, e consideramos dignos de um pouco de carinho. Hoje vamos falar de um título que por muitos passou batido em 2004, por motivos bem curiosos, o “Vampire: The Masquerade – Bloodlines”.

Este jogo é uma pérola perdida que foi ofuscada pela sua data inoportuna de lançamento e por conta de ter sido apressado ao mercado sem levar o polimento final que merecia.

Trata-se de um misto complexo de RPG com FPS, em um mundo aberto com uma atmosfera bem detalhada e profunda, um enredo sobre vampiros reminiscente de famosos RPG’s de mesa, uma leve influência de Anne Rice, acompanhado por um elenco de vozes invejável, uma trilha sonora soturna tendo nomes aclamados como Lacuna Coil, Darling Violetta e Tiamat, e vários locais fazendo muitas referências ao cinema e até mesmo outros games. Formula do sucesso? NÃO.

Escolha seu Clã

Fãs do sistema de regras do “Vampiro: A Máscara” terão motivo de sobra para se interessar por esse game. Bloodlines não apenas permite que você crie um personagem dentre um de sete clãs – alterando consideravelmente o tipo de aventura que o jogador terá, mas também criando uma envolvente trama que é bastante pertinente ao cânone do RPG. Pequenos detalhes, como as falas insanas de personagens malkavianos, mostram a dedicação da Troika em respeitar o universo, porém não conseguiram dar exatamente a mesma atenção aos outros clãs.

O personagem começa a aventura recebendo o abraço – ou seja, virando vampiro ou vampira. A trama começa quando você e seu progenitor(a) de caninos grandes são presos em meio a uma briga política da Camarilla em Los Angeles. Sem saber exatamente o que aconteceu, os primeiros momentos da sua nova existência são um tutorial sobre como funciona o estilo de morte-vida dos filhos da noite. Essa apresentação é uma perfeita introdução para quem não conhece o RPG, e ajuda os veteranos do RPG de mesa a compreenderem melhor todas as mecânicas do game.

O protagonista é então levado para um outro bairro, Santa Monica, onde começa a explorar a sociedade noturna dos vampiros. O game é estruturado em diversas missões – algumas obrigatórias, outras opcionais – que podem ser resolvidas de diferentes maneiras, dependendo de suas habilidades. Estas podem ser resolvidas com ataques corpo-a-corpo, armas de fogo ou brancas, furtividade, sedução, hackeando computadores ou manipulando a mente das pessoas. A criatividade dessas missões e os personagens relacionados ajudam a fazer de Bloodlines uma experiência bastante envolvente.

Isso basicamente resume o início do jogo, porém não existem palavras que possam descrever o caráter, ambientação e “mood” em geral que esse jogo possui, é um jogo feito com afinco, e não só um projeto executado, até o estilo de moda de cada clã foi bem representado, todos transparecendo muito bem suas peculiaridades, as dublagens são dignas de comparação com títulos de empresas como Blizzard, e a trilha sonora completa a atmosfera do jogo de uma forma que eu só tinha visto em jogos como Quake (com trilha sonora feita por Trent Reznor, do Nine Inch Nails).

Ver um jogo deste calibre, com tanto potencial, ser entregue as pressas, sem ser devidamente finalizado, quase chega a ser uma tortura.

Os Problemas

O Bloodlines foi lançado por obrigações contratuais exatamente no mesmo dia que o Half-Life 2, uma obra-prima atemporal, sendo lançado no dia 16 de novembro de 2004.

Como se ter sido lançado no mesmo dia que um dos jogos FPS mais respeitados de todos os tempos, o Bloodlines contou com o seríssimo ponto negativo de usar uma versão antiga do engine Source (mesmo engine do Half-Life 2), por conta da VALVe não entregar a mesma versão que utilizou no Half-Life 2, e sim uma mais antiga, que contava com formatos de modelos, mapas e afins em versões levemente ultrapassadas.

Para complicar ainda mais, o Bloodlines foi um projeto ambicioso, com a meta de replicar fielmente o sistema de regras do famoso RPG de mesa “Vampiro – A Máscara” em um mundo aberto, misturando elementos bem estruturados baseados no livro com FPS e com uma infinidade de diálogos e interações. Isso somado do prazo limitado, fez com que boa parte do jogo fosse descartada, porém ficando oculta nos recursos do jogo, sem aparecer de forma “comum” durante a execução do mesmo.

Para completar o combo problemático que levou ao fim da Troika Games e deixou o jogo desamparado, a Activision após ter visto a baixa vendagem do título, começou a demitir funcionários de tal estúdio, que apressadamente com o que restou da equipe original, fez um último patch (o Patch 1.2), que acabou por deixar muita coisa a desejar, este que tinha potencial para ser um jogo beirando a perfeição para fãs assíduos do RPG de mesa no qual o game se inspira.

A Comunidade

Esse jogo tinha tanta promessa e é baseado em uma franquia com uma base de fãs tão bem estabelecida, que claramente não poderia deixar de ganhar uma comunidade ativa, mesmo com as limitações do jogo não ter sido feito para modificações e correções de terceiros, sendo assim, poucos meses depois, começaram a aparecer modders de diversos países desenvolvendo braçalmente ferramentas para editar, mesmo que superficialmente, tal jogo.

Correções como adição de suporte à mais de 2gb de RAM e resoluções Widescreen foram as primeiras a aparecerem pela internet, além de ferramentas para descompactarem os arquivos VPK proprietários do jogo.

Ferramentas para edição direta de texturas ainda não existem até o presente dia, e qualquer alteração do gênero depende de improvisos que afetam negativamente o desempenho do jogo, sendo assim, até hoje não existe um “HD Patch” para o mesmo.

Editar modelos também é algo virtualmente impossível, visto que com as ferramentas existentes até o presente dia, não é possível adicionar ou remover vértices de um modelo, quem dirá substituir por um novo, então quem queira modificar fica restrito à deformar as vértices já existentes dos modelos do jogo.

Mas mesmo assim alguns patches não oficiais foram criados visando inicialmente apenas corrigir os mais de 1300 bugs deixados em aberto pelos desenvolvedores oficiais, como o projeto True Patch e o VTMBUP iniciado por WESP, patch este que começou como um simples compilado de correções de bugs, e passou a restaurar elementos não utilizados do jogo a partir da versão 3.3, patch este que até eu mesmo já fiz questão de contribuir em inúmeras ocasiões, como o sistema de instalação e os switches dinâmicos, além de ter contribuído com a atualização forçosa do Python do jogo para uma versão contemporânea.

Uma pena que com o passar dos anos o ânimo dos 5 principais contribuintes, incluindo eu, que mexiam com coisas mais drásticas como alterações em hexadecimal nos cenários do jogo, foi decaindo, e a partir do VTMBUP 7.3, nenhuma grande restauração de cenários ou objetos foi feita, apenas alterações e modificações de diálogos e condições nas missões.

Porem no ultimo ano até a presente data, eu pelo menos me animei, e como não tenho medo de sujar as mãos mexendo em hexadecimais e similares, junto com tal ânimo alinhando-se à uma oportunidade não desperdiçada à alguns anos atrás, as coisas estão acontecendo.

A Solução Final

Gostando tanto desse título, eu não pude deixar passar batido quando vi muita gente reclamando em alguns fóruns que frequento que o título não está rodando corretamente em sistemas e em hardware moderno, assim como a falta de algumas coisas que não são tão impossíveis de ser alcançadas dentro dos limites que o jogo permite.

Claro, com um pouco de conhecimento de engenharia reversa, principalmente para escrever DLL’s substitutos para o jogo, dei início à uma empreitada que finalmente está chegando a seu fim.

Como adquirimos a licença de revenda (passível de modificações) deste título, desenvolvemos uma versão atualizada do mesmo, contando com muitas novidades, além de claro, cobrir todas as falhas do título original.

Principais Novidades:

  • Engine otimizado e atualizado compatível com sistemas modernos
  • Milhares de novas missões contando agora com mais de 100 horas de jogo
  • 16 possíveis finais de jogo
  • Inúmeras novas regiões para você visitar
  • Novos itens e “Easter Eggs”
  • Possibilidade de jogar o título original corrigido
  • Missões específicas para todos os clãs
  • Possibilidade de selecionar biografias para alterar os atributos iniciais
  • Maior fidelidade às regras do RPG de mesa

Estaremos comercializando tal versão do Vampire: The Masquerade – Bloodlines aqui em nosso site, inicialmente na opção de download digital, para Mac, porém posteriormente pretendemos disponibilizar versões para Linux, e se acharmos algum masoquista experiente, Windows.

Incluindo:

  • Instalador do jogo para Mac livre de DRM
  • Manual original do jogo
  • Cartilha de trapaças
  • Livro “Vampiro – A Máscara” em suas 3 primeiras edições

Requisitos Mínimos

  • Processador Core 2 Duo 2.2Ghz ou superior
  • 2gb de RAM
  • Placa de Vídeo com 256mb de RAM ou superior
  • 4,4gb de espaço em disco

Requisitos Específicos no macOS

  • macOS 10.6 ou superior
  • Requer instalação do XQuartz

Vampire The Masquerade Bloodlines

Jure aliança à um de sete clãs únicos, e então use uma variedade de disciplinas vampíricas, como Demência, Celeridade ou Animalismo, para alcançar seus objetivos.

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