Continuando nossa rotina de publicar um jogo por dia, acompanhado de uma análise, hoje trazemos o Unreal II: The Awakening, uma pérola perdida que passou batido na época de seu lançamento por conta da abordagem tradicional de desenvolvimento.

Não que tradições sejam ruins – na verdade é o oposto. Abordagens tradicionais de Game Design se tornam tradições simplesmente porque funcionam. Alguns estúdios estão contentes em apenas destilar tais abordagens, fazendo pequenos ajustes aqui, afinando um recurso ou outro ali. Outros estúdios preferem arriscar com mudanças drásticas (muitas vezes malsucedidas) em novas direções. E este é o verdadeiro problema – refinamento de padrões tem que andar de mãos dadas com inovações.

De várias formas, o Unreal II é um exemplo das vantagens e desvantagens de abordar o desenvolvimento de um jogo de forma bem convencional. Enquanto o título carrega consigo alguns avanços significativos, eles ficam confinados ao aspecto técnico e oferecem pouco de realmente novo no que diz respeito à jogabilidade. Mas mesmo isto sendo um pouco previsível, o título mantém um alto nível de empolgação e foco que mais do que fazem dele um jogo digno de sua atenção. Porquê? Fico feliz por perguntar…

A história

Um dos mais desenvolvidos (e menos divulgados) aspectos de Unreal II é a sua história. Mesmo tendo fortes laços com o Unreal original neste ponto, a franquia parece ser melhor definida pelas suas partidas multijogador sem história. Então é ótimo ver que a equipe da Legend (conhecida por seu polimento extra) resolveu criar uma história intrigante na qual encaixar a ação.

A história se desenvolve através de cenas a bordo de sua nave enquanto você viaja de local a local. Entre a maioria das missões, você terá uma chance de voltar, descansar e conhecer melhor as pessoas servindo em sua nave. Não existem árvores de diálogos propriamente ditas, em vez de ir ramificando em novas direções, as opções de conversação são todas arbitrárias até que você esgote sua fonte de informação. Enquanto eu goste da liberdade que tais sequências provêm, eu fico imaginando se a história não seria melhor contada através de cenas não interativas. Pelo menos você pode sair andando da maioria das conversas se você perder o interesse.

Mas é completamente válido ficar por perto para ouvir os tópicos não essenciais simplesmente porque isto começa a desmistificar os personagens e circunstâncias. Quando o jogo começa, existem vários mistérios para se solucionar entre os membros de sua equipe, mistérios que você apenas pode solucionar ouvindo os personagens conversando entre si. Fica bem claro, já no começo do jogo, que todos os personagens têm histórias (algumas delas que se entrelaçam) que, quando reveladas, realmente fazem você se importar com a tripulação de sua nave.

Ultimamente, enquanto as interações com personagens são profundas e sofisticadas, os estereótipos são bem comuns. Um grupo de ex-militares desajustados que foram atarefados de localizar artefatos misteriosos de poder inimaginável que podem ser combinados para criar uma arma capaz de destruir planetas, algo infelizmente muito previsível. Um alienígena misteriosamente constrangido, um engenheiro grosseiro e uma mulher com boa comissão de frente levemente hostil não surpreenderão ninguém.

Level Design

Continuando, o fato de que você viaja para um planeta de gelo, um planeta de selva, um planeta de lava, um campo de mineração, uma base de pesquisa e um buffet completo de localizações comuns em sci-fi, fazem o jogo parecer mais do que um pouco artificial.

Um benefício dessa abordagem é que permite que os artistas usem tudo o que tem em relação a uma variedade de localidades. Os ambientes são todos únicos e muito bem detalhados. A arquitetura é memorável e cobre uma ampla gama de estilos. Para complementar, o clima e ambientação dos níveis realmente ajudam a distinguir um do outro.

Quebra-cabeças

No que diz respeito à quebra-cabeças, Unreal II é toleravelmente leve. Levando uma abordagem mais orientada à ação, foram inclusos alguns quebra-cabeças básicos para o jogador solucionar. Não existe muita necessidade de retornar nos mapas para achar a solução por aqui e, quando você tem que revisitar uma área, é normalmente por um bom motivo e não por algum mimimi arbitrário do Level Designer. Eu realmente gosto do fato de que os desenvolvedores decidiram refinar a ação. Não mais você estará interessado apenas em assaltos ou infiltrar posições fortificadas. Ocasionalmente você terá que rechaçar ataques inimigos em sua própria posição. Nesta situação, as armas fixas e defesas do jogo realmente começam a brilhar.

Inteligência artificial

Em termos de inteligência artificial, Unreal II oferece um desafio satisfatório. Vários dos inimigos alienígenas parecem contentes em correr direto em sua direção, com uma esquiva aqui e ali para desviar de seus tiros. Os oponentes humanos são um pouco mais sofisticados, tirando proveito de qualquer detalhe do cenário para se proteger ou até mesmo para flancar sua posição. Infelizmente, a maioria dos níveis tende a afunilar a ação em corredores estreitos e corredores, deixando a inteligência artificial com poucas opções.

A inteligência artificial dos amigáveis é uma tetéia. De tempos em tempos durante suas missões, você encontrará o engenheiro exigente ao lado do pesquisador egocêntrico. Seus comportamentos são bem realistas e até te dão mais um incentivo para mantê-los vivos. Em raras situações onde eles estão destinados a morrer independente de seus esforços, você pode até ficar com a sensação de culpa porque não pode fazer mais por eles.

O jogo ocasionalmente oferece a você a chance de comandar outras forças amigáveis em terra. Quando alguns soldados extras aterrissam, eles buscam você por liderança. Para dar ordens a eles, você simplesmente tem que “usar” eles. Isto abre algumas opções de diálogo que deixam você ordenar para um ponto em particular, pré-definido, no mapa. É um sistema interessante, mas apresenta uma pequena falha – você tem que estar por perto de alguém para eles fazerem algo. Normalmente isto não é um problema, mas quando um ataque inimigo vem de uma direção inesperada, você simplesmente não tem tempo para correr e redistribuir suas tropas que estão em outras posições. Quem sabe, no futuro, alguém vai inventar uma tecnologia de telefonia sem fio.

Armamentos

No que diz respeito a armamentos, Unreal II tenta se distanciar dos outros jogos até demais. Com 15 armas, o jogo possui mais armas do que o necessário e oferece muito mais do que um jogador pode explorar dentro de um único jogo. Armas como metralhadoras e lança-foguetes se tornaram insossas em jogos FPS, podendo ser completamente ignoradas, mas as variações de tais armas neste jogo ficaram simplesmente ótimas. Algumas armas mais isoladas e menos úteis como a Shocklance, ou a pistola da Ainda, ou tem um uso muito limitado ou simplesmente duplicam os efeitos de outra arma já em seu inventário. E enquanto é essencial para o balanço do jogo, parece estúpido para mim que o Marshal pode carregar uma dúzia de armas enquanto em batalha, mas só pode achar espaço em suas calças para 10 balas de Sniper. Talvez eu pudesse trocar algumas das armas redundantes por um pente extra, ou dois?

Gráficos

Previsível como vários dos aspectos do jogo são, os gráficos ainda são inegavelmente impressionantes. Os efeitos de arma são de primeira linha. Até então, o padrão para efeitos de lança-chamas tinha sido o Return to Castle Wolfenstein. Mesmo aquele efeito sendo muito bom, o encontrado em Unreal II é ainda melhor. Eu também gosto muito dos efeitos de fumaça, que deixam até alguns títulos contemporâneos com inveja. Lançar uma granada de fumaça em uma sala cheia e então dissipar a fumaça com uma granada de concussão é uma experiência realmente transcendental.

O veredito

Como um gamer, você tem que se perguntar se você prefere conteúdo polido e previsibilidade ou tomar uma rota mais aventurosa e se queimar. Estes que cansaram da abordagem tradicional de multijogador de Unreal certamente gostarão deste jogo – os gráficos e história por si só são suficientes para fazer o título se destacar. Mas para aqueles que andaram provando os frutos de jogos mais contemporâneos com histórias ricas e complexas, podem achar o Unreal II um tanto previsível.

Nossa versão do Unreal II conta com melhorias de compatibilidade e desempenho, além de leves melhorias visuais, é um título interessante, mas pode não agradar a todos.

Unreal II: The Awakening

Um clima de animosidade entre as raças emergiu em seu turno. Entre de cabeça em um conflito que determinará o destino da galáxia.

Mais uma pérola perdida para a coleção! Espero que tenham gostado da análise, e não se esqueçam de dar uma olhada no nosso release de tal jogo, com as já usuais melhorias de compatibilidade e desempenho em sistemas operacionais modernos.

Infelizmente ainda estamos entregando todos os jogos somente para macOS, porém quando dermos início ao suporte à Windows e Linux, tenham em mente que TODOS os jogos serão atualizados contendo instaladores para tais sistemas.

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